Original
Eu vim de Luanda,
Naveguei num navio negreiro,
Mas me tornei quilombolas, ai, ai, aí
Negro quilombolas guerreiro.
Foi lá na África
Que aconteceu a traição.
Foram os meus próprios reis,
Que me venderam pra escravidão.
Eram três voltas na árvore,
para o portão do nunca mais.
As margens do rio Kwanza.
Mãe África, eu sei que não volto mais.
E no balanço do mar
Já não possuindo mais minha riqueza
Vivendo em um porão,
com tifo, banzo, escorbuto e tristeza.
E o navio atracou
Nas terras de Vera Cruz.
Eu não sou mais um negro livre e sim
o feitor quem me conduz.
E lá dentro da senzala,
Conheci um negro que chamavam Zumbi.
Ele me disse um dia,
Meu irmão, nós vamos fugir daqui.
E Zumbi começou,
na senzala uma rebelião,
Junto com Gangazumba, criou a capoiera,
pra nossa libertação.
E Zumbi me levou
Para um monte além dos mares.
Lá encontrei minha família, eu senti
a liberdade no Quilombo dos Palmares.
English
I came from Luanda.
I sailed on a slave ship.
But I became a Quilombolas, ai, ai, ai,
A black Quilombolas warrior.
It was in Africa
That the betrayal happened.
Those were my own kings,
Who sold me into slavery.
There were three laps around the tree
to the gate of Nevermore.
The banks of river Kwanza.
Mother Africa, I know, I won't come back.
And on the sea waves,
No longer possessing my wealth,
I was living in a cargo hold
With typhus, homesickness, scurvy and sadness.
And the ship docked
At the lands of Vera Cruz.
I'm no longer a free black man
And so is the foreman, who leads me.
And there, inside the Senzala,
I met a blackman, called Zumbi.
He told me: "One day,
my brother, we will escape from here".
And Zumbi started
A rebellion in the Senzala.
With Gangazumba they created the Capoeira
for our freedom.
And Zumbi took me
Far away beyond the seas.
There I found my family and became
free in the Quilombo dos Palmares.